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Caio Teixeira conta como é viver do surf e revela planos para o futuro


Caio em dia clássico no Peró. Foto: Alan Coutinho

Parece repetitivo, mas a verdade é que a Região dos Lagos produz muito talento. E não é de hoje. O surfista de longboard Caio Teixeira, um dos muitos que foi criado nas terras da Praia do Forte, em Cabo Frio, é filho do saudoso Telmo – criador do Museu de Surf. Atualmente Caio tem a sua própria marca de pranchas, realiza workshops e vive do surfe. Além disso, Teixeira não se intitula como “atleta”, ele se considera “surfista”. O Blog Cutback conversou um pouco com o longboarder, que contou sobre os novos projetos, de como é viver do esporte. Confira!

Cutback: É clichê, mas tenho que perguntar. Quando você começou a surfar?

Caio Teixeira: Comecei a surfar por volta dos meus 8 anos de idade "por vontade própria", porque se dependesse do meu pai, eu estaria surfando desde o meu 1° ano de idade[risos]. Minha mãe me disse que assim que fiz um ano meu pai me deu uma pranchinha de verdade, o problema é que a vontade de surfar só surgiu quando meus amigos e vizinhos começaram. Minha diversão era a praia e as brincadeiras na rua.

Surf naquela época servia para matar aula, me divertir com meus amigos e surfar com meu pai aos finais de semana.

Cutback: Quem foi o seu maior mentor no surf?

Caio Teixeira: Meu maior mentor sem sombra de dúvidas foi o meu pai, meu maior incentivador, parceiro, amigo, dentre outras tantas coisas. Me deu minha primeira prancha, me levou pra fazer minha primeira surf trip e me inseriu nesse esporte mágico que é o surf.


Um hang ten com estilo do Caio. Foto: Alan Coutinho

Cutback: Você é surfista profissional, mas virou free surfer. Já concorreu em circuitos profissionais? Por que se tornou um free?

Caio Teixeira: Na verdade eu sempre fui um free surfer, as competições, na verdade, era apenas um bom pretexto para poder viajar, conhecer um lugar novo e estar com os amigos.

Claro que nesse meio tempo participando das competições, consegui conquistar alguns títulos bem legais. Estive entre os tops no circuito Brasileiro, fui Campeão Latino Americano, 3° Lugar no Mundial Mexi Log (evento para convidados), entre outros que já nem lembro mais.

Hoje em dia, minhas participações em competições internacionais e nacionais são pra poder compartilhar bons momentos com meus amigos. Seja dentro ou fora d'água.

Cutback: Você viveu rodeado de pranchas históricas, alguma delas te inspirou a ser surfista de longboard?

Caio Teixeira: Cresci e comecei a surfar rodeado de pranchas antigas, mas o que me fez realmente começar a surfar com as pranchas grandes foi um final de tarde quando pedi ao meu pai a dele emprestada. Peguei o triplo de ondas em apenas alguns minutos, percebi que o conforto tanto na remada e durante todo o percurso de deslize na onda, tinha uma pitada diferenciada. Acho que foi amor à primeira onda.


Cutback: O seu pai foi um dos maiores amantes do surf do país. Montou um museu e tudo mais. Você pensa em seguir os passos? O Museu ainda é um objetivo?

Caio Teixeira: O Museu nunca foi meu objetivo, esse era o sonho do meu pai, ele mais do que nenhuma outra pessoa gostava tanto daquela coleção.

Dedicou 1/3 da sua vida ao Museu, fez de tudo para que desse certo, conseguiu reunir pranchas e agregar valor ao turismo da cidade. Criou uma importante referência para a cultura local, nacional e internacional, colocando a coleção como uma das 3 mais importantes no mundo, com pranchas dos anos 40/50/60 chegando as pranchas dos grandes surfistas dos anos 2000. A coleção é algo sublime.

Nesse momento quem assume o legado é minha mãe que mantém o espaço funcionando com o incentivo da Prefeitura Municipal de Cabo Frio.

Cutback: O teu estilo em cima da prancha chama muita atenção. Você tem alguma referência nesse quesito? Observou algum surfista?

Caio Teixeira: Eu sempre tive muitas referências, Carlos Mudinho, Wady Mansur, Babu, Miguel Kury foram surfistas que me incentivaram e me ajudaram muito no meu crescimento.

Claro que para melhorar as técnicas eu procurava assitir Colin Mcphillips, Joel Tudor, Cj Nelson e Marcelo Freitas.

Cutback: Como é viver do surf?

Caio Teixeira: Viver do surf não é uma tarefa muito fácil. No meu caso, eu não sou atleta, sou surfista mesmo. Eu faço tanta coisa, que às vezes eu me perco na quantidade de atividades... faço pranchas, tenho uma marca que á a Caio Teixeira Classic Longboard, desenvolvi um Workshop que já é realizado há 5 anos, o Worskshop Footwork & Noseride, onde passo técnicas de Longboard com um grupo de surfistas especialistas na modalidade.

Faço Surf Trips aonde apresento alguns lugares pelo mundo e vamos em busca das melhores ondas dos respectivos picos tradicionais dos lugares, também dou aulas de surf a mais de 15 anos, sou formado pela ISA (International Surfing Association), e agora estou com mais um projeto, equipei toda minha casa para poder receber ate 3 pessoas, onde vamos juntos, translado.

Hospedagem com café da manha (localizada a 450 metros da praia), aulas de surf com foto/vídeo/analise das aulas, visita a fabrica, e vamos conhecer todo o processo de construção de uma prancha, trilha e visita nas Cachoeiras do Rio de Janeiro e, claro, um passeio pela Região dos Lagos (com visita ao Museu do Surf - mergulho em Arraial do Cabo - e trilha pela região).

Os projetos não podem parar, ano que vem, tem coisa nova vindo ai, projetos novos, parceiros novos e muitas novidades.

Cutback: Você saiu de Cabo Frio, um lugar relativamente "ruim" para ondas, comparado a outros picos. Mas o que você tirou de bom das ondas da cidade?

Caio Teixeira: Posso considerar Cabo Frio, um dos melhores lugares do mundo para a pratica do Longboard, as ondas em sua maior parte do tempo são pequenas, e a quantidade de vezes que elas quebram perfeitas, é inúmera.

Tirei muita coisa boa da cidade, fiz grandes amigos, conheci todos os picos, sei bem quando quebram e quais são as condições ideais de cada praia. Fico acompanhando os sites de previsão, para poder voltar e me divertir na terrinha, já que aqui no RJ, onde eu moro, as praias são sempre muito cheias, então, quando eu quero me divertir, volto para o meu quintal.

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