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Campeão Mundial Pro-Junior de surf, Lucas Silveira fala da dificuldade do profissional

Atualizado: Ago 20


Lucas surfando no Rio de Janeiro. Foto: Pinguim

Ser campeão do mundo em qualquer esporte coloca o atleta em um patamar acima da média. O entrevistado do Cutback dessa semana, o Lucas Silveira, foi Campeão do Mundo Pro-Junior em 2016. Lucas é carioca, que cresceu em Florianópolis desde 2007. O surfista tem 24 anos e é uma das maiores promessas do surf brasileiro dessa geração. Além de Campeão Mundial, Lucas foi Rookie of The Year na Tríplice Coroa Havaiana em 2014, em sua estreia no North Shore. Em 2019 ele sofreu uma fratura na tíbia no final do que o afastou temporariamente das competições.

Plenamente recuperado e treinando diariamente, o surfista se prepara para as próximas trips e competições e, ao lado do videomaker Antonio Valverde (Badfilmer), apresenta a websérie Hammer Tales no Youtube, aos domingos, às 19hs. Ao Cutback, Lucas falou da sua trajetória no surf, do seu planejamento, da sua facilidade em surfar nos mares e mais. Confira. Cutback: Para a galera que não te conhece: quem é Lucas Silveira? Qual a sua trajetória no surf?

Lucas: Bom, minha trajetória no surf... Eu comecei bem criança com uns 7, 8 anos, meus irmãos mais velhos já surfavam então foi bem influência deles assim ter começado e sempre fui bem ativo nos esportes desde criança, quando comecei a surfar meio que larguei tudo e foi meio que largando os outros esportes aos poucos. Aí bem novinho com 9,10 anos já tava competindo, com 11 já arrumei meu primeiro patrocínio assim mais forte e meio que seguiu daí. O começo foi assim.

Vraaaaau. Foto: Antonio Valverde

Cutback: Você tem nas costas um título mundial em um esporte tão difícil. E vi alguns campeões mundias pro-junior falando da dificuldade da transição do amador para o QS. Isso realmente acontece? É uma fase importante para o atleta?

Lucas: Título Mundial Júnior é um título bem grande, é um título mundial em qualquer esporte que tu seja campeão mundial, em alguma categoria isso é um feito bem maneiro e realmente a transição do amador para o QS é bem complicada para a maioria das pessoas. Tem o Medina, o Filipinho e tal que não tiveram muitas dificuldades, parece [risos]. Mas normalmente é bem complicado, meu primeiro QS que eu viajei para fora foi um seis estrelas nas Ilhas Canárias, tive um resultado muito bom, acho que fiquei em nono lugar. Tipo, para primeira viagem fiquei amarradão, cheguei na fase do homem a homem e aí no ano seguinte com 17 anos, achei que ia seguir naquela pegada de passar várias baterias tranquilo e acho que os dois anos seguintes. cara, passei poucas baterias. Praticamente passava uma e perdia na outra, e agora é uma troca bem grande. Tudo vem do amador, fazendo final todo final de semana para um nível muito mais alto e tu vai perder bem mais do que ganhar no QS, normalmente. Então é uma transição difícil.

Cuback: Quais os principais desafios de ser surfista profissional no Brasil?

Lucas: Cara, a gente vê muitos, muitos talentos quase sem nenhuma condição, então tu vai no nordeste e tem muitos surfistas muito bons, no Brasil inteiro. O Brasil é muito grande, todo lugar que tu vai pela costa tem muitos surfistas bons. E no Brasil tem um pouco menos de incentivo do que, digamos, Austrália e Estados Unidos para os surfistas. Tipo, é mais difícil viver, indiferente de ser surfista ou não, como se fosse fácil para a maioria das pessoas e para o surf não é diferente. Mas tendo agora campeões mundiais e tudo isso, a cultura do surf está mudando bastante, apesar de meio que estar em crise o mercado do surf, bem pouco patrocínio, evento amador. Mas, para as mídias fora do surf, o surf já é bem mais respeitado e então agora virando olímpico comece a virar isso de novo, tendo mais incentivo e mais oportunidade. Porque no surf o Brasil tem tudo para ganhar muitas medalhas nas próximas olimpíadas, talvez isso atraia mais apoio de mercado de fora do surf.

Backside ataque. Foto: Catarina Photo

Cutback: Você é conhecido por surfar bem em ondas pequenas e também nos grandes mares. Qual é sua condição favorita?

Lucas: Isso sempre foi um dos meus objetivos desde bem novo, era ser o mais completo possível, surfar bem desde marola do QS até ondas gigantes do que eu consiga surfar de 1 a 30 pés. Então, eu gosto de pensar que qualquer condição dá para se divertir, mas claro que a gente tem uma que a gente prefere. Tipo: entre 10 e 15 pés assim, tipo aquele mar de 4 metros e tubular é perfeito, terral, os tubos cavernosos, mas um tamanho que dá para tu surfar, dropar, atrasar e adiantar. Se cresce muito, mesmo nesse tamanho da para ter um pouco mais de performance de tubo, uns points escondidos que eu já peguei, aquele Nias gigante ali são os mares dos sonhos.

Cutback: Tu já surfou em ondas do Rio de Janeiro? Saquarema, Arraial do Cabo... alguma dessas cidades?

Lucas: Eu já surfei muitas ondas do Rio, eu sou nascido no Rio de Janeiro. Então, na minha infância eu cresci indo para esses lugares todos, corri muito o circuito carioca amador e tinha várias etapas nesses lugares e muitas vezes eu volto. Esse ano fui algumas vezes para Saquarema já, swell em Saquarema é um dos melhores centros de surf do Brasil. Tem muitos picos bons bem concentrados, onda forte. Então, é um dos melhores lugares do Brasil para surfar. E Arraial do Cabo em 2011 teve um Brasileiro amador lá que eu ganhei, foi o ano que fui campeão brasileiro e tenho boas lembranças, nessa etapa tinham altas ondas, é um paraíso.

Cutback: Qual o planejamento para a sua carreira no momento?

Lucas: No momento como as competições estão paradas, nós começamos esse canal no Youtube e ta bem focado nessa produção agora, claro que não deixando de treinar. Os treinos continuam o mesmo e o foco agora esse ano está sendo essa produção e provavelmente vamos continuar quando as competições voltarem também, mostrando tipo meio que o backstage ali de quando tiver competindo, acho que vai ser bem interessante também. Tem coisa interessante para mostrar para o público e tem dado certo, tem crescido bastante o canal ali bem rápido e estamos amarradão.

Aquela direita pesada. Foto: Antonio Valverde

Cutback: Como está sendo o isolamento social? Tem treinado, estudado, surfando, ficando com a família...?

Lucas: Pô, esse isolamento... lockdown, né. Teve muito, muito surf. Acho que surfei mais do que normalmente até. Como não tinha como sair, viajar, tinha que ficar na cidade e não tinha meio que previsão para treinar para tal lugar, só surfava por surfar, treinava para ta bem saudável, forte. Isso foi bem interessante de mudar o mindset assim de “treinar para preparar para próxima etapa do QS e tal”. Estou treinando porque tem que treinar para ficar bem e forte surfando porque surfar vai evoluir o surf. Essa pegada foi bem produtiva e claro foi bom ficar com a família um tempo e deu pra dar uma adiantada na faculdade também, que eu curso administração online. Chato pra caramba mas deu para dar uma adiantada nisso.

Cutback: Conta pra gente um perrengue que você passou em algum mar.

Lucas: Já tive alguns perrengues em mares. E acho que o maior perrengue foi a vez que eu quebrei a perna, era um mar bem amigável, tinha assim um metro de onda em Mundaca e aí saindo de um tubo torceu a tíbia e quebrei a perna. Foi em Outubro do ano passado e a dor que eu senti foi assim inexplicável. Só quem já quebrou um osso grande como esse sabe como é que é, a roubada para sair do mar foi bem forte também. Tem que atravessar um rio lá para sair e você sentindo a canela solta ali fazendo barulho e ainda tinha que subir umas pedras para poder sair do mar, um local amigo meu ali me ajudou a sair e a espera até ambulância chegar foi tudo muito doloroso, mas passou. Foi uma experiência que voltando atrás acho que não trocaria nada foi importante para mim, evolui bastante coisa por dentro assim passando por isso, pelo perrengue vários meses fora d’agua recuperando e agora to forte, 100% recuperado e é isso. Um abraço.

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