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Conheça o trabalho social de Phil Rajzman, campeão mundial de longboard

Não basta ser bicampeão mundial de longboard, surfar as melhores ondas do planeta, cultuar o lifestyle do esporte, é preciso fazer algo mais, “plantar uma semente”, como diz Phil Rajzman. Carioca, 38 anos, o atleta viajou o mundo e atualmente vive entre Búzios (RJ), Havaí e Califórnia (EUA), mas nunca esqueceu de sua essência, seguindo os ensinamentos dos pais, ex-atletas profissionais – Bernard Rajzman, que foi da Seleção Brasileira de Voleibol, e Michelle Wollens, ex-patinadora –, que sempre estiveram ligados a ações sociais. No Rio de Janeiro, há oito anos Rajzman é padrinho do projeto Surf no Alemão e também criou, em 2011, junto com a esposa, Julli Roldão Rajzman, o Respirar. Paralelamente mantém uma parceria sólida com o Nã Kama Kai, programa de inclusão social e sustentabilidade criado pelo havaiano campeão mundial de longboard, Duane DeSoto no Havaí.

Sempre nos lugares onde vou, busco me envolver com causas sociais que passem coisas positivas, envolvam esporte, saúde, bem-estar, preservação da natureza e, principalmente, possam proporcionar novas oportunidades a crianças de famílias de baixo poder aquisitivo. Isto já está no sangue e nos ideais que minha esposa e eu cultuamos”, afirma Rajzman.

Projeto Respirar

Há um ano, Phil Rajzman voltou a morar no Brasil, em Búzios, onde mantém o Projeto Respirar ao lado da esposa. A iniciativa tem como foco principal aulas de surfe para crianças de baixa renda da região. “A história teve início em 2011, quando trabalhávamos com crianças do Centro Integrado de Ensino Profissionalizante – CIEP, de Rio das Pedras/RJ. Desde então, o Respirar já atendeu mais de 500 crianças. Nossa intenção é deixar o projeto caminhar sozinho quando não estivermos no Brasil, para que ele continue beneficiando crianças das comunidades de Búzios”, explica Rajzman. “Quando não posso dar aula, contrato professores locais para me substituir, empresto minhas pranchas, equipamentos e o que for necessário para mostrar a essas crianças que existem outros caminhos a seguir, ainda que vivam em um ambiente de vulnerabilidade”, completa.

Phil com a garotada do Surf no Alemão. Foto: Divulgação

Surf no Alemão

Justamente o objetivo de tirar crianças da marginalidade e tráfico foi o que fez se envolver com o Surf no Alemão, que o atleta considera uma extensão ou um braço do Respirar, por ter os mesmos princípios. Desde o dia que conheceu, com Julli, o trabalho de Wellington Cardoso, junto às crianças do Morro do Alemão, nunca mais deixou de abraçar o projeto. Idealizador e coordenador, Cardoso é um apaixonado por surfe e começou a levar algumas crianças da comunidade para conhecerem o mar, ao invés de ficarem expostas à criminalidade. A seriedade da iniciativa de inclusão social e promoção da cidadania é tamanha que, para participar das aulas de surfe no posto 12 da Praia do Recreio, os pré-requisitos são: estar estudando, ter boas notas e bom comportamento na escola e em casa.

Phil traz incentivo e inspiração aos participantes, sempre presente e dando orientações motivacionais para que criem expectativas. Leva as crianças para eventos, traz lembranças das competições autografadas pelos campeões e, ainda, quebra paradigmas de classe social”, destaca Cardoso. “O surfe é o único esporte que se você for à praia poderá praticá-lo ao lado de seu ídolo, no caso, o Phil!”, completa o carioca que vem transformando vidas de centenas de crianças e jovens desde 2011.

A história é tão marcante que o Surf no Alemão virou documentário, dirigido por Eduardo Dornelles (Abaetê Filmes) e foi lançado em 2018. “Me encantei pelo projeto em 2012 e pelo trabalho incrível do Wellington, que fez com que centenas de crianças que não conheciam o mar, mesmo morando no Rio, aprendessem a surfar e virassem cidadãs do bem. Até um cinema ele montou na sede do projeto, que durante anos bateu recorde de bilheteria devido aos preços populares”, elogia Rajzman, se referindo ao primeiro cinema do mundo em uma favela, o CineCarioca Nova Brasília.

Com a ajuda de Rajzman, em setembro de 2019 o Surf no Alemão foi beneficiado com a Lei de Incentivo ao Esporte, mas ainda precisa de apoios e patrocínios para seguir adiante. Os benefícios agora vão além do surfe. Cerca de 60 crianças e jovens – que atingem 300 pessoas diretamente (familiares) – participam de aulas de libras, inglês, visitas a pontos turísticos do Rio, atividades do Jovem Aprendiz (primeiro emprego), entre outras.

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