Buscar

Cosme e Damião: as lendas do surf de Cabo Frio


Cosme (à esquerda) e Damião (à direita) em dia de free surf na Praia do Forte. Foto: Divulgação

Em cidades do interior é comum as pessoas serem conhecidas pela proximidade uma das outras. Os moradores de Cabo Frio e irmãos Cosme e Damião fazem parte dessa “classe” de famosos. Basta passar pela rua Francisco Paranhos que eles estão lá, no mesmo lugar de sempre. Eles são considerados lendas do surf local, surfistas da velha guarda e que seguem dentro d’água.

Cosme e Damião apresentam uma linha clássica do esporte com a versatilidade atual. Aos 56 anos, os gêmeos parecem dois adolescentes ao mandar batidas, rasgadas, 360° e cutback. Conhecidos por falarem muito no mar, os dois encantam a nova geração com suas histórias de mares e trips do passado. Mas nem tudo são flores, Cosme e Damião passaram dificuldades até conseguirem a sua primeira prancha, ainda nos anos 70.

Ao Cutback, os gêmeos relataram sobre o começo no esporte, sobre as dificuldades enfrentadas e muito mais. Confira!

Cosme com toda sua classe na Praia do Foguete. Foto: Divulgação

Cutback: Quando vocês começaram a surfar?

Irmãos: Começamos a surfar... foi nos anos 70, 76 ou 75.

Cutback: Alguém inspirou vocês no início do surf?

Irmãos: Inspirou, sim. Miguel Kuri, Gugu, Mutuca, Marco meu irmão, o Manel Patolo, Daniel Rios que a gente chamava de Gambá na época.

Cutback: Qual a maior dificuldade que vocês enfrentaram em todo o tempo de surf?

Irmãos: A família não ter condições para a gente surfar, não tinha condições. Não tinha prancha, depois de velho que nós conseguimos. Quando nós fizemos 38 anos, que, trabalhando, conseguimos ter as coisas da gente. Nessa época a gente chorava porque não tinha condições. Para ter prancha, pra surfar a gente ficava atrás dos amigos pedindo, as pessoas chamavam a gente de “abelhudos”, que a gente ia pra praia as vezes e as pessoas mandavam a gente trabalhar. Falavam "não tem condição de emprestar prancha, não", já choramos muito por causa disso, hein?

De ir na praia ver três ressacas no ano quando ia abaixando não tinha prancha pra surfar, aí eu comecei a fazer uns biscatezinhos, comecei a ter uma prancha. Cosme não trabalhava, aí com o tempo foi passando. Fui ter uma prancha ideal quando Valério Ribas [irmão do Victor Ribas] me vendeu uma Barrel e uma bicicleta, Dona Francisca [mãe dos Ribas] veio pegar a bicicleta, mas não pegou a prancha porque eu não deixei.

Damião, como seu irmão, desfilando a sua classe na Praia do Forte. Foto: Acervo Pessoal

Cutback: Vocês já competiram?

Irmãos: Eu [Damião] competi duas vezes, Cosme eu não sei. Cosme competiu mais que duas vezes. Uma eu tirei 4° lugar em Unamar e na outra tirei 11° aqui em São Cristóvão.

Cutback: Na opinião de vocês, o que falta para os talentos locais irem para frente?

Irmãos: Olha, por incrível que pareça, os empresários não acreditam no talento de hoje, entendeu? Para ter um cara igual Victor Ribas é muito complicado, não tem patrocínio, de repente a galera que surfa bem não leva a sério, entendeu? Ninguém quer ajudar, é complicado, é muito complicado hoje. Hoje é complicadíssimo para o cara ser um top do surf, hein. Já teve uns 3 ou 4 que tentaram, mas não conseguiram, não. Aqui até hoje na nossa região em Cabo Frio, só um que eu to falando, só Victor Ribas mesmo.

Depois de Victor pode até estar existindo agora, uma garotada nova, o filho de Pequeno - o Pablo -, entendeu? Pablo ta ai, pequeno... O menino [Lucas Ribas] lá do Foguete também que ta se dedicando. O jovem de hoje, as crianças de hoje, o surf aumentou muito. Hoje tem muitas manobras radicais que antigamente não existia nada disso, hoje até a gente que está velho se quiser dar "aéreo" a gente dá, só tem que treinar.

Mas tem que ter material também, tem que ter prancha. A gente tem uma só para surfar, aí temos medo de quebrar. Mas, o jovem hoje ta quebrando tudo, só dando aéreo reverse, pegando tubo, tudo.

Cutback: Qual a melhor onda da Região dos Lagos?

Irmãos: Praia Grande, Monte Alto, Figueira, Saquarema e Búzios. Cabo Frio é bom também, custa a rolar, mas quando rola também é muito bom, você não quer ir pra lugar nenhum. Só quer ficar aqui quando é bom. Todo mundo fala, quando é bom, é bom. Mas as ondas que salvam a gente aqui são na Figueira, Monte Alto e Praia Grande.

©2019 by Blog Cutback. Proudly created with Wix.com