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Dedicação e estudo: Jovan Silva é um dos melhores shapers da nova geração


Observar! Essa é a palavra que sempre moveu o surfista e shaper Jovan Silva. Atualmente bombeiro, ele começou a sua jornada no surf ainda criança, no litoral norte do Rio de Janeiro. Diferente de muitos atletas de sua geração, que iniciaram no esporte por morarem perto da praia, Jovan sempre morou longe das ondas. Nascido em Campos, ele ganhou um bodyboard do pai e logo ficou em pé.

A evolução foi grande ao longo dos anos, Jovan fez parte de uma equipe de surf, teve patrocínios, competiu em diversas etapas e fez muitos resultados positivos. Segundo ele, na sua geração era “complicado” vencer porque tinham diversos nomes de ponta: Plínio Ribas, Marcelo Barreto, João Gutenbergue, entre outros.

Jovan tinha como shaper o Eduardo Crivella, um dos maiores nomes de pranchas do país. O jovem atleta o observava fazendo as suas “naves” e foi inspirado a começar no ramo. Há seis anos Jovan começou a shapiar. Observador e estudioso, viu que a tecnologia poderia ajudar muito na fabricação das pranchas e trouxe para Cabo Frio a primeira máquina de corte da Região dos Lagos. Foi para o sul aprender a mexer no software Shaper 3D.

Ao Cutback, Jovan contou sobre a sua trajetória no esporte, do seu inicio como shaper e muito mais. Confira!

Cutback: Quando você começou a surfar?

Jovan: Cara, eu comecei a surfar, tinha 8 anos de idade. Meu irmão mais velho pediu uma prancha para o meu pai de presente, ele tinha 10 e eu tinha 8. A gente tem família no Rio de Janeiro. Zé, Ricardo, Val, os primos, Dono do Prainha e o Zé são nossos primos e a gente já tinha essas referências na família. Eles sempre iam para Campos competir os eventos, a gente sempre via. Chegavam na casa da minha avó quando éramos pequenos e com 10 anos meu irmão pediu uma prancha para o meu pai, aí eu falei que queria também.

Meu pai comprou uma prancha para o meu irmão e um bodyboard "Elton” para mim. Mas, aí chegou o verão e em 2 semanas a gente “moeu” o bodybard porque eu tava ficando em pé. Já rápido, pegamos as ondas, logo começamos a ficar em pé. Fomos pra uma praia lá, Santa Clara, no Norte Fluminense que era fácil de aprender a surfar, praia rasa, as ondinhas são pequenas. Então rápido a gente começou a ficar em pé, em 2 semanas eu acabei com o bodyboard, quebrou todinho. E meu pai logo comprou outra prancha para mim, uma prancha que um amigo dele tinha achado. Uma "Surf Explosivo" do Fred Baltazar, verde e amarela, era bem maneira e naquela versão ali com 8 anos eu comecei a surfar e nunca mais parei.

Pranchas feitas pelo Jovan. Foto: Divulgação

Cutback: Da aonde veio a sua paixão pelas pranchas?

Jovan: A minha paixão pelas pranchas veio desde que eu comecei a competir. Na verdade quando era novo com 10, 11 anos eu comecei a competir, com 12 pra 13 anos era patrocinado pela Beach Bake, em Campos, com 12 para 13 já tinha patrocínio e comecei a ir ao Rio com o patrocinador, o Paulo Parente. A gente acompanhava, ia à Super Glass pegar as pranchas junto com ele, na época era o Ricardo, o Crivella, o Joca, acho que eram só os três. Lá eu via os caras shapeando, o Crivella na época fazia as nossas pranchas, depois eu vim fazer prancha em Cabo Frio com Renato Jacaré, também acompanhei ele fazendo as minhas pranchas, acompanhei Dado fazendo uma prancha minha também.

E foi assim eu comecei a me interessar, vendo meus sheapers fazendo as minhas pranchas e pesquisava nos guias da Fluir [revista]. Estudava tudo nos guias da Fluir: curva, fundo, rabeta, para que servia as caneletas e sempre me interei muito, depois dessa fase, aos 16/17 anos, sempre acompanhei fazer as minhas pranchas. Depois o Cláudio Marinho fazias as minhas pranchas, eu sempre dava meus pitacos "assim que eu quero", "medida tal".

Comecei a trabalhar embarcado, depois virei bombeiro, aí depois de velho falei "pô, meu irmão, vou fazer prancha. quero fazer prancha". Estou há 6 anos fazendo prancha amarradão, mas já tinha um bom conhecimento, fiz com Merre [Antônio Araújo], fiz curso com ele antes dele ir para o Havaí de shape 3D.

Cláudio Marinho me deu muito apoio, foi um dos meus grandes mestres de shape, me ensinando a shapear na sala mesmo, cortar bloco, fazer as paradas, e aí eu venho crescendo com Dado, Barrel, Marcos Santana... são as minhas referências aqui em Cabo Frio no momento, o Mudinho na época estava com a Doctor Surf, fazendo umas laminações, com Mariano e o Mudinho também trabalhavam, via o mudinho shapear, muito bom ter experiência com os mais antigos isso tem feito eu crescer bastante.

Cutback: Alguém te inspirou a fazer pranchas?

Jovan: A minha inspiração mesmo foi o Eduardo Crivella. Fui para casa dele com Ricardo Alla [seu primo], na época era patrocinado pelo Atol das Rocas e o Crivella fazia minhas pranchas, eu o acompanhava sempre que podia, ia para casa dele em Vargem Grande pra acompanhar ele shpear as pranchas, era bem legal, ali eu me apaixonei pelas pranchas.

Cutback: Qual a maior dificuldade que você enfrentou em todo o seu tempo de surf?

Jovan: A maior dificuldade no surf [era] quando competi, por ser do Norte Fluminense e a praia ser longe, a maior dificuldade era surfar, ir para praia. Quando era novo só ia para praia no fim de semana, durante a semana eu tinha que estudar. Até crescer, ter independência, poder ter um carro, poder dividir um carro com os amigos, os pais deixarem a gente ir sozinhos para praia... a grande dificuldade foi isso, a praia ser longe. Quando surgiu a oportunidade de morar na praia... hoje eu moro na beira da praia, graças a Deus.

Cutback: Você já competiu alguma vez ou sempre preferiu fazer as pranchas?

Jovan: Sim, com certeza... eu sempre competi, vira e mexe eu corro os campeonatos, sempre que eu posso eu corro a master ou a open e tenho bastante troféus. Sempre tive bastantes resultados nos eventos, ganhei bastantes eventos, fiz várias finais. Sou da geração de ouro, a minha geração foi uma geração pesada para se competir: Plínio Ribas, João Guttemberg, Yuri Sodré, André Pessoa Fabiano Passos... foi uma galera aqui no Rio de Janeiro que na época de Estadual, Brasileiro era bem complicado de se competir, ter um bom resultado. Théo Salles, Emiliano César, Cristiano Tinoco, Marcelo Barreto, tem uma galera que tem um nome de pessoas no circuito da minha geração.

Cutback: Na sua opinião, o que falta para os talentos locais irem para frente?

Jovan: Nós temos grandes talentos locais, eu tenho observado bastante isso, mas falta mais dedicação, a vida de competição. A competitividade mesmo, os caras terem conhecimento de prancha. Eu vejo pessoas com talento aqui, mas com pranchas erradas, às vezes surfando com retrô e tem talento para surfar com uma prancha performance, se dedicar mais e ainda falta incentivo da prefeitura, do governo, dos patrocinadores e das grandes lojas.

O apoio está muito fraco na região. O Dado, o Marquinhos [Marcos Ramos], o Gustavo Riscado, os caras têm se empenhado bastante pra fazer os circuitos, tudo pra levar o surf competição da região, para elevar o esporte - como na época do Victor, do Plínio, do Rodrigo Souza e do Guilherme Souza.

Outros grandes nomes que a gente competiu muito, o Alan Toledo, Erick Ribieri e essa galera da nova geração não tem uma galera que sai daqui a não ser o Pequeno que saem pra correr, tem o Bernardo em Arraial, mas não tem muitos nomes de peso que saem daqui pra competir por falta de apoio mesmo. Falta apoio, principalmente da prefeitura, eu acho.

Como a Prefeitura de São João da Barra que tem os atletas de lá, que pô, eles colocam carro pra levar os atletas disponibilizam alimentação, estadia tudo, falta isso, falta apoio.

Máquina no seu momento de corte. Foto: Jovan Silva

Cutback: Você trouxe uma tecnologia que ninguém tem na região. A máquina de corte ajuda muito?

Jovan: Quando eu decidi shapear, eu trabalhava embarcado e decidi que queria fazer shape da melhor maneira possível, fazer as pranchas com alta qualidade, bastante desenvolvimento. Pesquisei bastante e acabei encontrando um cara em Santa Catarina, que estava indo embora para o Chile para abrir uma fábrica lá, tinha conhecido uma pessoa, estava indo embora porque queria casar e não tinha como levar a máquina dele daqui.

Botou a venda, pesquisei, fui psra Santa Catarina, passei 10 dias para aprender a mexer na máquina com o cara lá, ele passou tudo para mim, trouxe a máquina, joguei no caminhão, levei para Campos e não sabia mexer no Shape 3D, não shapeava. Foi onde comecei a shapear, aí eu liguei parao Antônio Araújo (Merrei) que ficou 7 dias na minha casa, destrinchou o Shape 3D comigo, me ensinou muita coisa que eu trouxe até hoje na minha vida.

Sou muito grato ao Merrei, é uma pessoa abençoada e desse jeito a máquina está aí. Como eu falei para os caras "está aí para todo mundo usar" quero que todo mundo evolua na região, os shapes cresçam com o Shape 3D. Porque querendo ou não é a evolução do surf, não adianta bater de frente, o Shape 3D é a maior evolução e, pô, espero que daqui a pouco todos os shapers estejam utilizando.

Cutback: Em sua opinião, qual a melhor onda da Região dos Lagos?

Jovan: Na minha opinião a melhor onda da região é a Ilha do Pontal. É a onda mais perfeita quando quebra, é o lugar onde mais me sinto em casa, moro perto, moro próximo, na cancela 6 do Foguete. Daqui eu consigo ver se tem ou não, se está entrando ondulação e sempre que eu posso, às vezes tem ondulação e eu não consigo ir porque sou Guarda-Vidas do Corpo de Bombeiros também, tenho três filhos, então tenho a vida bem corrida, tenho as pranchas pra fazer, mas sempre que tem onda ali eu procuro tirar um tempinho para pegar onda na Ilha porque é mágico. Me sinto em uma surf trip fora do país porque realmente o ponto ali é muito mágico, sou apaixonado por aquela onda.

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