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Locais: surfista cria de Geribá se destaca desde os 7 anos

Uma das coisas mais bacanas do esporte é quando uma família inteira se apaixona e pratica uma mesma modalidade. Em Búzios, o surfista profissional José Eduardo tem o surf no seu sangue. Filho de pescadores, nascido e criado no Canto Esquerdo da Praia de Geribá, Duduzinho – como é conhecido – desfila as suas habilidades desde os 7 anos de idade. De família de surfistas, onde seus pais, tios e irmão praticam o esporte, José começou a se destacar cedo.

Com seis meses de surf, o atleta buziano começou a competir. Eduardo perdeu o seu irmão mais velho, um dos surfistas que ele mais admirava em sua vida. Segundo o esportista, esse foi o momento mais delicado e difícil na sua carreira, chegando a perder a vontade de surfar.

Ao Cutback, Jose Eduardo contou como foi o seu inicio no esporte, as dificuldades enfrentadas quando perdeu seu irmão e muito mais. Confira!

Cutback: Quando você começou a surfar?

Jose: Comecei a surfar tinha 7 anos. Logo em seguida comecei a competir com seis meses. Seis meses de surf, eu comecei a competir. O surf não foi por acaso na minha vida, o surf vem de berço, minha família toda é surfista de Geribá, inclusive são os melhores, sempre foram. Os meus primos, meus tios, todos surfam. Quando você nasce no clã, você está destinado a ser surfista. Sendo bom competidor ou não, você vai ser surfista, todo mundo na minha família pega onda. Então... Pegar onda não foi uma escolha, foi o que estava ali presente na minha vida. O ser surfista em si não foi uma coincidência, todos queriam que eu pegasse onda, meus irmãos já pegavam onda, meus primos, e eu não era muito fã. Aconteceu uma história muito longa, mas resumindo... Comecei com sete anos, e logo assim comecei a competir.

Cutback: Alguém te inspirou no início do surf?

Jose: No começo foi meu irmão e meu tio, eles sempre surfaram muito bem e eu acho que isso fez com que eu quisesse surfar também. Eu sempre ia aos campeonatos de surf, mas nem pegava onda, ia assistir meu tio e meu irmão, sempre achei muito legal, mas achava que aquilo não era pra mim. Então, acho que eles foram a minha maior inspiração de inicio assim pra mim.

Cutback: Qual a maior dificuldade que você enfrentou em todo o seu tempo de surf?

Jose: A vida de qualquer atleta nunca foi fácil. Ah... tive muitos perrengues, difícil dizer "ah foi esse aqui", mas a maior dificuldade da minha vida foi ter perdido meu irmão mais velho que me colocou pra surfar. Ir surfar é a coisa que mais me alegra, não consigo viver sem surf, que mais me faz sentir prazer e me sentir ser humano é o surf, acho que ao mesmo tempo me traz essa dor de ter perdido um irmão. Que era surfista, me colocou pra surfar, me levou para as primeiras competições, foi meu técnico por muito tempo.

Acho que essa foi a maior dificuldade da minha vida, é difícil lidar com isso, foi um tempo obscuro, fiquei um tempo sem pegar onda. Afastei-me um pouco das competições, parei de competir, tava surfando pouco, até me reencontrar e pensar em voltar a competir foi difícil. A maior dificuldade com surf na minha vida foi ter perdido meu irmão.

Cutback: Quando você começou a competir?

Jose: Com sete anos comecei a competir, foi muito rápido. Na minha família todos competia, todo mundo é surfista como eu já falei. Meu irmão já competia. E eu fui um garoto com uma noção maior, porque minha família é de pescador, então é do mar. Com mar, eu tenho uma conexão e um feeling muito bom.

Quando eu comecei a surfar, foi uma coisa muito precoce. Então, com 6 meses estava ganhando de uns garotos que já surfavam 4, 5 anos, já eram campeões estaduais. Na minha primeira competição, já estava ganhando do atual campeão estadual na minha categoria, ali minha família soube que eu tinha jeito para coisa, então...

Foi muito rápido, com isso de competição. Comecei a competir, com três, quatro meses de competição já tava indo para o estadual, com um ano já tava no brasileiro, assim não parou mais. Competi por muito tempo no circuito. Competi até com Medina, Miguel Pupo, Alejo Muniz, Jadson André. Inclusive, ganhei muito de todos desses caras que falei.

Cutback: Em sua opinião, o que falta para os talentos locais irem para frente?

Jose: Acho que falta reconhecimento, divulgação. Não tem uma mídia, uma imagem que venda, que isso é uma coisa importante, que é uma coisa legal que todos os empresários, todo o poder público poderiam patrocinar isso. Seja qual for o esporte, esporte é vida, esporte salva pessoas, forma cidadãos de bem e é o que está precisando na nossa região.

Temos boas ondas, temos grandes talentos, se tivesse um trabalho de marketing de surf que realmente fizesse as pessoas gostarem do esporte, pudessem trabalhar em prol disso, as coisas aconteceriam. Os caras querem sugar, somente. As multinacionais de surf, grandes empresas do surf que vendem surfwear não colocam um centavo, só querem sugar o esporte. Muito mais fácil você arrumar patrocínio de uma marca que nem é do surf, mas que o cara tem uma consciência que o esporte é uma coisa legal, que isso está fazendo um bem para cidade dele e está divulgando o trabalho.

Então falta organização dos atletas, falta um direcionamento, uma reeducação esportiva, para que os atletas comecem a se portar como profissionais e fazerem a coisa acontecer. Isso ainda está muito cru na nossa região, apesar de termos grandes talentos, mas acredito que isso esteja melhorando, mas ainda é uma coisa meio precária.

Cutback: Qual a melhor onda da Região dos Lagos?

Jose: Tem muita onda boa na nossa região, seria difícil falar a melhor onda, mas para mim sempre será o canto esquerdo de Geribá, onde mora minha família. Costumo dizer que aquela onda tem minha assinatura. Os buzianos dizem que está para nascer um atleta que surfe a aquela onda como eu e digo para pessoas que é a herança da minha família. Então vai ser sempre a melhor onda, não importa a opinião das pessoas. Mas tem muitas ondas boas na nossa região.

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