Silvana Lima detalha preparação para as Olímpiadas

Recentemente rolou nas redes sociais uma brincadeira onde a galera fazia um top 10 dos melhores surfistas. O Cutback verificou 10 perfis que participaram e 7 deles colocaram o nome da Silvana Lima. Isso mostra o tamanho da cearense. E a entrevista desta semana é com ela. Silvana se manteve no topo do surf mundial por anos e bateu de frente com a Stephanie Gilmore, que é 7x campeã do circuito. Em 2009 conseguiu ter os melhores resultados e levantou duas etapas do CT feminino: Beachley Classic e o Roxy Pro Gold Coast, amos na Austrália. Foi por duas vezes vice-campeã mundial (2008 e 2009) e é bicampeã mundial do QS, divisão de acesso ao CT.


A surfista representará o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio neste ano e ela contou sobre a preparação para o Cutback. Confira!

Foto: Ana Catarina

Cutback: Como está sendo esse período difícil na sua vida? Mudou tudo na rotina dos seus treinos e viagens?


Silvana: Pra mim o que está sendo difícil é não poder viajar. Estou sentindo falta disso, de estar viajando, estar competindo, viajando para treinar fora do Brasil. Os treinos ainda estão rolando no Brasil, mas por falta de competição é difícil, porque não é mesmo ritmo. A gente precisa de rotina de competir, de sentir adrenalina, aquele friozinho na barriga e praticar os treinos dentro do evento. Estou sentindo a falta de competir.


Cutback: As Olimpíadas se aproximam. O planejamento para a disputa está sendo feito ou foi alterado para se adequar ao momento?


Silvana: Já está próximo das Olimpíadas, faltam quatro meses. Estou treinando muito, mas como não está rolando competição, complica um pouco. Acredito que em abril volte e faz parte dos treinos, da preparação para as Olimpíadas. É a forma de praticar o treino dentro da competição e ver realmente o que está faltando para chegar nas Olimpíadas. O foco está nas Olimpíadas, mas até lá faltam etapas para competir. Até lá ainda tem muita coisa para acontecer, praticar planejamento perfeito, para chegar nas Olimpíadas mais que 100%.

Foto: Ana Catarina

Cutback: Muita gente de fora do surf sabe do seu nome, da sua força no esporte. Principalmente as meninas. Você tem noção do seu "tamanho"?


Silvana: Não tenho muita noção da potência, mas sei que represento muito bem o Brasil. Tenho uma força de superação imensa, uma história muito linda e sou uma garota muito guerreira. Mas não tenho a noção exaltam do que meu nome tem. Agradeço muita gente que é fã, ora por mim e me dá essa força para continuar representando o surf feminino da melhor forma possível.


Cutback: Por falar nas meninas... elas a procuram para pedir conselhos e dicas?


Silvana: Não sei o porque as meninas não pedem muitas dicas, conselhos... Mas estou aqui. Tem algumas que entram em contato comigo no Instagram, pedindo conselho de pranchas, manobras... Mas não são muitas, gostaria que fossem mais, porque estou aqui para dar dicas e conselhos.


Cutback: Na sua opinião, existe machismo e preconceito no meio do surf? Você já sofreu com algum tipo de discriminação por ser mulher?


Silvana: Tem machismo e preconceito no meio do esporte. Já vi. Comigo devo ter sofrido mas não lembro, não vem nada na minha cabeça. Vejo muita inveja, de eu surfar mais do que o cara. Às vezes chego de boa, mas vejo que um ou outro fica incomodado com o meu surf e ele não surfar no mesmo nível.

Foto: Ana Catarina

Cutback: Agora você está com um patrocínio de bico forte, de nome. Isso te dá uma tranquilidade para focar nos objetivos esportivos?


Silvana: Depois que eu fechei com a Santacosta fiquei muito feliz, é uma marca que sou apaixonada. Eu procurei eles, porque queria fazer parte dessa família. Foram uns seis meses até fechar e sou muito grata. Fiquei muito feliz em ver aquele logo no meu bico, que é a sereia. Então, fiquei muito feliz e tranquila para focar no objetivos. Sou muito grata a toda família Santacosta.


Cutback: Qual os seus planos para os próximos anos? Pensa em seguir mais quantos anos no tour mundial?


Silvana: Eu ainda quero viajar internacional, por uns dois anos. Pretendo parar internacionalmente em 2024, onde acho que chego no meu limite. Mas até aí, se o corpo aguentar e eu sentir o prazer de continuar surfando, posso até passar desses dois anos. Mas essa vontade que sinto de competir, essa adrenalina, acredito que vá ficar por um bom tempo. Acredito que fora do Brasil vá acabar cedo, mas no Brasil vou continuar um bom tempo até ficar pra trás, não estar num bom nível e começar a perder, aí falo que realmente a Silvana se aposentou.


Cutback: Deixa um recado para a galera do surf que a acompanha e vibra com as suas conquistas. Silvana: Agradeço a todo mundo que está na torcida por mim. Peço toda a oração de vocês para que eu vá mais do que 100% nessas Olimpíadas e trazer medalha para o Brasil. Sou muito grata a muita gente que ora, que torce e passa essa energia positiva para mim.