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Surfistas de Cabo Frio criam grupo de informes das ondas


Surf Therapy em dia de surf. Foto: Divulgação

Em diversos esportes é comum a galera se reunir e marcar aquela tradicional “pelada”. Esse termo, no surf, não existe, mas reunir a rapaziada e partir para dar aquela “caída” num dia clássico é a mesma coisa. Na cidade de Cabo Frio, um desses grupos está crescendo e trazendo cada vez mais surfistas. O Surf Therapy, criado pelo Arthur Fernandes, além de se reunirem para surfar, também rola o famoso “informe” do mar. Antigamente tínhamos sites especializados que colocavam diariamente fotos e vídeos das praias, com as condições e previsões. Com o desenvolvimento do 3g, ficou mais fácil de qualquer um levar o informe para outros surfistas. O Therapy reúne surfistas de todos os níveis, desde o iniciante até os prós, segundo Arthur. O Blog conversou um pouco com o Arthur para saber mais sobre a criação do grupo e por qual motivo ele resolveu iniciar com o Therapy. Fernandes conta quando começou no surf, o porque da paixão pelo esporte e muito mais. Confira!

Cutback: Quando você começou a surfar?

Arthur: Comecei a surfar em 2008 assim que eu vim morar em Cabo Frio, já fazem doze anos que eu comecei a surfar. Porém, nesse meio tempo eu surfei, depois parei, surfei, depois parei, teve um período nesse meio tempo que fiquei uns 4 ou 5 anos sem surfar. Por causa da correria mesmo do dia-a-dia, mas comecei a surfar em 2008. Aprendi a surfar sozinho, não tive instrutor, professor, já dei aula de surf também.

Cutback: Da aonde veio a sua paixão pelas ondas?

Arthur: Cara, minha paixão pelo surf foi um negócio muito de Deus, né? Isso começou lá em 2006, quando eu estava na minha 6° série, eu estava caminhando para escola sozinho, nessa época eu estava morando lá em Curitiba e a cidade não tinha onda, não tem praia, é a capital do Paraná, fica numa região serrana. Um belo dia eu caminhando para escola, eu tive uma visão. Sabe quando você está andando e começa a pensar? Pensamentos vem na sua cabeça, eu tive esse pensamento em forma de visão e eu me vi surfando, cara. Me vi pegando uma prancha e entrando na onda e ficando em pé. Algo que concretizou para mim, que eu ia surfar de quilha e não de bodyboard, mas foi assim.

Eu tive esse desejo de começar a surfar, essa vontade e começou assim, através de uma visão. Eu não conhecia nada de surf, nem do mundo do Surf. Eu não assistia vídeos, não tinha contato nenhum, foi algo assim do nada que veio na minha cabeça. Aí, assim que eu vim para Cabo Frio, eu fiquei sabendo que aqui tinha praia, eu pedi a minha mãe e ela me deu minha primeira prancha de isopor na época, mas com quilha e eu comecei a surfar na Praia do Forte, foi a praia que aprendi a surfar.

Cutback: Por que criar o Surf Therapy?

Arthur: Eu criei o grupo Surf Therapy pra gente ter uma base de informações de ondas, onde que ta rolando, qual pico que está melhor e de juntar com seus melhores amigos e ir surfar nesse lugar. Essa foi a base pra criar o grupo: amigos que querem surfar juntos na melhor opção que a gente tem na região. Nossa região é um lugar muito rico, muito farto de ondas. O intuito é fazer o que a gente ama, com as pessoas que a gente gosta. Então, por isso eu criei o grupo Surf Therapy, um grupo que é voltado somente pro Surf,eé a gente evita qualquer outro tipo de assunto, um grupo que a gente preza muito o respeito ao próximo, a gente preza muito a qualidade de manter uma amizade na base do respeito. Com isso surfar junto nas melhores opções.

Correndo pra água! Foto: Divulgação

Cutback: Você teve alguma inspiração para criar o Surf Therapy?

Arthur: Cara, minha inspiração pra criar o grupo Surf Therapy foi que eu via muita gente espalhada, sabe? E na época que eu criei o grupo ainda não tinha instagram, não tinha essa coisa de informe como é hoje em dia. Hoje isso facilita muito, mas na época não tinha. Então minha inspiração foi criar um grupo, onde eu pudesse colocar meus amigos e a gente pudesse se reunir pra surfar e conversar sobre surf, conversar sobre as etapas do WCT. E de alguma forma evoluir, buscar evoluir, não buscar evoluir para ser melhor que o outro, mas buscar evoluir a si mesmo, e a gente poder ser melhor do que a gente foi ontem.

Cutback: Em sua opinião, o informe das ondas diários pode criar uma rotina e, de certa forma, melhorar o surf?

Arthur: Em minha opinião, acho que quanto mais a gente compartilhar as informações dos picos, mais a gente vai entendendo qual é a melhor condição para cada praia. Hoje tu vê no grupo Surf Therapy todo mundo sabe qual ondulação e qual vento é bom pra cada tipo de praia, isso no começo só eu sabia. Eu aprendi com amigo meu, aprendi com meu primo, aprendi com surfistas das antigas daqui de Cabo Frio, que me ensinaram isso, antes de Instagram, antes de ter site, antes de ter tudo isso que ajuda.

O informe diário foi ajudando a galera a entender, então hoje eu fico tranquilo. Eu nem preciso olhar a previsão porque eu sei que a galera do Surf Therapy sabe a previsão e sabe qual tipo de ondulação e de vento fica bom pra cada praia. Então isso melhora muito a nossa rotina e faz com que a gente evolua no surf, porque a gente consegue otimizar nosso tempo de ir para o lugar certo na hora certa.

Cutback: Você já competiu alguma vez?

Arthur: Já competi, sim. Mas, o meu intuito nunca foi ser competidor, meu intuito sempre foi ser free surfer. No dia que eu competi, eu fui para a Praia Brava de Cabo Frio para fazer um free surf e cheguei lá estava rolando um campeonato. Aí o pessoal precisava de surfista para completar a bateria lá, eu caí nesse campeonatozinho, nesse dia tava até o Victor Ribas, o Pequeno, foi bem legal o campeonatozinho. Passei algumas baterias, mas o meu intuito sempre foi free surf, sabe? O surf pra mim sempre foi algo por amor e não por competição.

Cutback: Em sua opinião, o que falta para os talentos locais irem para frente?

Ah mermão, falta patrocínio, falta a galera apoiar, falta principalmente uma união dos surfistas locais. Infelizmente Cabo Frio é um lugar que os surfistas não apoiam um ao outro, eles querem ser melhores do que os outros daqui e não tem união. A gente chega em alguns locais, como Búzios e Arraial e a gente vê a união dos caras nos locais de lá e aqui em Cabo Frio não tem isso. Eu acho que se os locais daqui fossem mais unidos e tivesse um apoio das lojas locais, uma visibilidade, mais competições que trouxessem grandes marcas para ver os nossos talentos locais iriam muito mais pra frente.

Cutback: Em sua opinião, qual a melhor onda da Região dos Lagos?

Arthur: Cara, eu sou apaixonado por Arraial do Cabo, né. Eu costumo dizer que melhor que Arraial só o céu, ali em Arraial tem assim muita opção de onda boa, né. Mas pra mim, as duas melhores ondas da nossa região ficam ali, “da nossa região” que eu digo é Cabo Frio, Arraial e Búzios, né. Pra mim, em segundo lugar fica a Ilha do Pontal que é um pico de esquerda e em primeiro lugar fica a Praia Brava de Arraial, nossa mano. Pra mim, não tem como são as melhores ondas da região e se for botar numa visão geral, né. A melhor onda da Região dos Lagos em si, completa, incluindo Saquarema é Itaúna.

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