Talento, tecnologia e estudo: os novos modelos do Dado Shaper

Atualizado: Mar 15

O avanço tecnológico em diversas frentes fez com que a sociedade evoluísse em muitas frentes, inclusive no surf. Fazer prancha sempre foi uma ocupação artesanal, uma arte que poucos dominam, mas de alguns anos para cá a tecnologia veio para auxiliar e otimizar o tempo da fabricação. Mas é lógico, não basta só a modernidade, o talento e o olho artesanal se unem para produzir a prancha mágica. Seguindo os passos dos grandes shapers do mundo, Dado - um dos mais antigos e renomados da Região dos Lagos -, une o estudo, talento e tecnologia para alcançar a excelência. Dado faz "foguetes" para surfistas profissionais que disputam o QS e para amadores de diversos níveis. O Cutback conversou com o shaper para entender melhor os novos modelos e o processo de desenvolvimento de cada um. Confira!

Artes: Dado Shaper


Cutback: Você já está na ativa há um bom tempo e sempre lança novidades nas suas pranchas. Você estuda está atento sempre as novas tecnologias?

Dado: Estou na ativa há bastante tempo, tem 37 anos. A tecnologia sempre esteve do meu lado. Sempre tive esse lado tecnológico. Teve uma época que parei com a fabricação de prancha, para investir no meu lado profissional tecnológico. Trabalhei como técnico de informática por alguns anos, com manutenção e todo esse conhecimento de informática me ajudou muito. Hoje em dia, todos os setores dependem da tecnologia. Não precisa ser tecnologia de ponta, mas todo mundo, até um entregador de pizza, qualquer pessoa envolvida com trabalho no dia-a-dia, depende da tecnologia. O entregador de pizza, por exemplo, depende de um celular para poder desenvolver a tarefa dele. Um peão de obra, por exemplo, precisa de um celular para fazer contato com os clientes. Hoje em dia, todo mundo precisa da tecnologia como ferramenta. Não tem como escapar disso. E como falei, a tecnologia me ajuda a desenvolver os trabalhos que faço no dia-a-dia.

Com essa facilidade que tive em aprender informática, consegui agregar no dia-a-dia do meu trabalho. Tenho muita facilidade em executar meu trabalho como designer.

Deixando bem claro que a tecnologia não é tudo. É uma ferramenta. Mas o shaper, laminador, o entregador, o peão de obra tem que ter o talento para poder oferecer um resultado final satisfatório. Não adianta só a tecnologia.

Cutback: O retorno dos seus atletas e clientes é fundamental para fazer o melhor modelo?

Dado: Sempre falo que o nosso trabalho é 100% personalizado. Então, desde o primeiro contato com o cliente, até a finalização da prancha é 100% personalizado, já que é feita sob medida, então fazemos sempre próximo daquilo que o cliente quer. Hoje temos quase 100% de acerto na parte funcional da prancha. Temos ainda a parte da laminação e a pintura que também vai de acordo com cada cliente. No caso da laminação, a pessoa pede mais leva, mais pesada, com reforço... E a pintura também é personalizada de acordo com cada cliente.

E o resultado disso, o cliente passa para mim, porque acabamos tendo uma relação de amizade. Desde o cliente desconhecido, que está fazendo a primeira prancha, não é da cidade, acabamos pegando uma certa amizade e ele me dá um feedback do desenvolvimento da prancha e isto é muito bom. Já que aí sei que estou no caminh certo, na parte de design e funcionalidade da prancha.

E os amigos mais próximos, nem se fala. Estão comigo praticamente todos os dias. Tem os amigos, os parceiros, os amigos que são parceiros, e assim vai. Com os atletas também tenho uma relação muito boa. Tanto os atletas, como os amigos me dão um retorno muito grande, porque, além de estar surfando junto, recebemos fotos, imagens, e procuramos sempre aperfeiçoar a prancha para que o surf evolua.

Em especial os atletas têm um trabalho muito ativo com a Karol e com o Matheus. Temos também um atleta iniciante, que é o Khauã, de Arraial, mas o que mais temos trabalho intenso é com a Karol e o Matheus e estamos tendo um resultado muito bom. Claro que com o bom desempenho deles, tenho mais motivação para evoluir e melhorar. Estamos sempre aprendendo, então é interessante que esse feedback chegue a mim como uma ferramenta para que eu possa evoluir mais e mais.

Cutback: Quais são os novos modelos que você apresentou?

Dado: Tenho modelo toy, que é a sensação do momento, que é uma fish também, baseado em fish, mas com olhar bem high performance. É uma prancha para onda pequena e média, mas, dependendo do surfista, se rolar uma um pouquinho maior, pode colocar dentro d'água que ela vai funcionar muito bem. Como o próprio nome já diz ela é um brinquedinho. É uma prancha para se divertir mesmo.

O modelo seguinte, na linha high performance, é a speed k. Uma prancha que desenvolvi especialmente para a Carol Ribeiro. Como tenho um trabalho individual para cada cliente, também tenho para cada atleta. Essa prancha que desenvolvi para a Karol é muito particular, mas que estou lançando para ser comercializada.

E seguindo a linha high performance, tenho o modelo calango, que é uma prancha especial. Tenho a bullet, que também é uma prancha para ondas pequenas e médias, que tem um volume a mais, tem uma largura de bico, porém com um olhar high performance também. Todo o fundo, quilha, ela é toda baseada na speed. Essa prancha é high performance mas pode ser utilizada para outras finalidades também, até mesmo para um iniciante, que vai conseguir desenvolver com mais facilidade.

Tem também o modelo x-surf, que é o design que desenvolvi para o Mateus e estou colocando na linha de produção para comercializar. Também é uma prancha baseada na speed. Todas high performance são baseadas na speed, que é a prancha que mais deu certo na minha carreira.

A linha retrô é interessante porque tenho feito baseada em high performance. Fundo, quilha, borda, tudo baseado nelas, pranchas atuais. Claro que, em algumas situações, faço 100% retrô. Depende do cliente.

Cutback: Cada um é para um tipo de onda, tipo de surfista... como que funciona? Dado: É bem complicado, porque esses modelos que apresentei agora são modelos que estou quase que o ano todo trabalhando. Então, esses modelos que postei são resultados de pranchas que funcionam com certeza. Trabalhos que venho desenvolvendo e colocando para a galera usar. Através desses feedbacks, tenho esses resultados aí. Hoje, as pranchas que mais tem uma resposta da galera é a speed, baseada em prancha high performance, fiz um trabalho de evolução desse modelo através da Karol Ribeiro, do Marcos Ramos, do Gustavo e do Matheus. Hoje tenho a speed line, que são pranchas totalmente high performance.

Tenho também o modelo rocket que eu gosto muito do shape e consegui desenvolver um modelo específico para a região. A rocket que tenho no meu catálogo, é desenvolvida para Cabo Frio e as praias da região. Todos os modelos que faço são aplicados aqui para a nossa realidade. É o que eu sempre falo, não adianta você ter uma prancha top, que não vão ter como base o conhecimento do mar que temos aqui. Sempre desenvolvo pranchas para cá, para a região e a galera daqui.

Cada modelo que desenvolvi foi baseado nas necessidades dos meus clientes, no estilo de surf, tipo de onda. Cada modelo é para um tipo de surf, um estilo de surf. O cliente em apresenta a necessidade dele e eu vou sugerir qual seria mais adequado para ele. Cada modelo vai ser compatível com o estilo de cada surfista. Tem uma galera que sabe qual o tipo de prancha que quer. A grande maioria que surfa já sabe qual é o estilo mais adequado.